O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou da elaboração do capítulo brasileiro do relatório Estado dos Recifes de Coral do Mundo: 2025 (Status of Coral Reefs of the World: 2025), lançado em 31 de agosto pela Rede Global de Monitoramento de Recifes de Coral (GCRMN, na sigla em inglês), iniciativa vinculada à Iniciativa Internacional para os Recifes de Coral (ICRI).
A diretora do Departamento de Oceano e Gestão Costeira do MMA, Ana Paula Prates, explica que a contribuição do Ministério para a produção do capítulo nacional integra o esforço de coordenar o hub brasileiro para reunir e sistematizar informações científicas sobre a situação dos recifes brasileiros, seus principais desafios e as medidas necessárias para fortalecer a conservação desses ambientes.
“Essa iniciativa reforça a importância da cooperação entre governo, comunidade científica e instituições nacionais e internacionais para ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos e subsidiar políticas públicas de conservação”, destacou a diretora.
A publicação apresenta uma avaliação abrangente das condições dos recifes de coral em diferentes regiões do planeta, com dados de monitoramento coletados entre 1980 e 2024. A sétima edição do relatório reúne 21,1 milhões de observações, provenientes de 87.299 levantamentos em 36.886 locais de 124 países, territórios e economias.
O documento analisa as mudanças na cobertura de corais e macroalgas nos recifes de coral, identifica os principais fatores de pressão sobre esses ecossistemas e apresenta recomendações para orientar governos, pesquisadores e gestores na definição de estratégias de conservação. Entre os principais alertas está a intensificação das ondas de calor marinhas e dos eventos de branqueamento, associados à mudança do clima, que comprometem a saúde dos recifes.
A elaboração do capítulo brasileiro foi liderada pela professora Beatrice Padovani Ferreira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), parceira do MMA. A pesquisadora coordena o Programa Nacional de Monitoramento dos Recifes Brasileiros (ReefCheck Brasil) e atua como ponto focal científico da Iniciativa Internacional para os Recifes de Coral (ICRI), ao lado da diretora Ana Paula Leite Prates, desde 2006.
Panorama dos recifes brasileiros
O capítulo dedicado ao Brasil reúne dados de monitoramento realizados entre 2002 e 2024, abrangendo 77 locais e 488 levantamentos. Os resultados mostram que a cobertura de corais aumentou de 15,9%, em 2002, para 26,6%, em 2016, mas apresentou redução de 33,8% entre 2016 e 2024, chegando a 17,6%.
A queda está relacionada, principalmente, aos episódios de estresse térmico registrados em 2019 e 2020 e ao quarto evento global de branqueamento de corais, que também atingiu o Brasil em 2024. O estudo aponta que todas as sub-regiões monitoradas sofreram impactos de anomalias térmicas, embora com diferentes intensidades.
O Nordeste apresentou as maiores perdas percentuais e a menor cobertura de corais entre as sub-regiões analisadas. Já a região Leste, que inclui os recifes de Abrolhos, manteve os maiores índices de cobertura e registrou impactos relativamente menores no período mais recente.
Apesar dos sinais de pressão ambiental, o levantamento também evidencia a capacidade de recuperação desses ecossistemas quando há medidas eficazes de proteção e manejo. A análise destaca a importância das áreas marinhas protegidas e das ações locais de conservação para fortalecer a resiliência dos recifes.
O Brasil abriga os únicos recifes de coral verdadeiros conhecidos no Atlântico Sul. Esses ambientes sustentam uma biodiversidade marinha singular, incluindo espécies endêmicas, e desempenham funções essenciais para a vida das comunidades costeiras.
De acordo com o capítulo brasileiro, aproximadamente 3,5 milhões de pessoas dependem dos recifes no país. Além de contribuírem para a pesca e a segurança alimentar, esses ecossistemas protegem a costa contra a ação das ondas e sustentam atividades turísticas e culturais.
Entre as recomendações apresentadas estão o fortalecimento da gestão das áreas marinhas protegidas, o monitoramento contínuo dos recifes, a melhoria da qualidade da água, o envolvimento das comunidades costeiras nas decisões e a integração das políticas de conservação da biodiversidade com as ações de enfrentamento das mudanças climáticas.
O relatório também destaca a importância de iniciativas nacionais, como a Estratégia Nacional para a Conservação e Uso Sustentável dos Recifes de Coral, instituída pelo Decreto nº 12.486/2025 e coordenado pelo MMA, além de compromissos internacionais voltados à proteção da biodiversidade e ao enfrentamento da crise climática.
Acesse aqui o relatório Status of Coral Reefs of the World: 2025
